Carolina. Maranhão. A Rainha d'Agua

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

CASA DE PORTA E JANELA


O que cabe em uma casa de porta e janela?
creio que corredor não cabe.
Cabe uma cama com colcha de retalho.
Redes, por estarem no espaço vazio, no ar, à noite, cabem.
Tem pia que sai da janela da cozinha, por isso, cabe;
tem geladeira que não dá choque e televisão onde cabe o mundo.
Cabe vida, cabe gente, corda para pendurar roupa, tamborete;
cabe amor, passarinho na gaiola, quadro com Nossa Senhora,
gato velho miando, com Lua ou sem, sobre o telhado.



Poesia e ilustração de José Emídio Albuquerque e Silva

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

ESSÊNCIA DE PÁSSARO - POESIA


Existe um pequeno passarinho,
que canta na janela todo dia.
Parece choro, parece triste,
parece encanto, por ser canto.
Por eu nunca vê-lo,
ele não é pássaro,
é pura melodia.





Poesia e ilustração: autoria de José Emídio Albuquerque e Silva

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

REENCONTRO - CRÔNICA



 De onde vens?

 Da rua de baixo.

 De baixo?

 É o nome que dou. Da beira do rio.

 Para onde vais?

 Para a rua de cima.

 De cima?

 É assim que a vejo. A que sobe no rumo do Menino Jesus.

 Que vais fazer ...

 Não se canse perguntando. Antes de lá, na Rua da Areia, vou comprar fava e Maizena. Depois, passarei na loja com o nome de Mundo. Vou pagar uma folha do carnê que comprei estes vestido e sapatos. Não é por serem novos, mas são os que mais gosto.

Em seguida, no Largo do Ginásio, se me der sede, bebo água na casa da minha comadre.

Na Rua do Menino, vou rezar um terço, é para outra comadre, só que essa está doente. Se ela melhorar, dias após o terço, volto e rezo outro, para agradecer, senão, não desisto, volto de novo.

Rezar, cura, primeiro, o espírito. A carne, por ser fraca, vem depois, precisa de remédio, reza e fé.

 E em seguida ...

─ Estava quase chegando lá. Voltarei para este largo, hoje, praça, mas que já teve o nome de Largo Imperial, que gosto mais; descerei a Alameda para te ver, te dar um beijo e almoçar na tua casa, contigo.

 Mas já não estás me vendo ...

─ Insensível. Coração de pedra. O que preferes, ganhar um beijo ou dar um prato de comida?

  Ser teu amigo, conversar contigo ...

 Prefiro o beijo. Já era para eu estar na Rua da Areia.
 
 
Ilustração  e crônica de autoria de José Emídio Albuquerque e Silva

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

INSCRIÇÕES RUPESTRES - MORRO DAS FIGURAS - CAROLINA, MA


 


 
O conjunto do Morro das Figuras, em Carolina, MA, é composto por dois morros, sendo que as inscrições se encontram no morro menor, representado na foto acima. A parte do morro em que elas estão, é a parede com cor ocre da foto acima.
 
 
Há pelo menos 30 anos, conheci o Morro das Figuras. Como as máquinas fotográficas da época eram em filme de rolo e por ter me encantado com as cachoeiras do Prata e de São Romão, sobraram-me apenas três fotos para tirar do morro, visita essa que seria feita no final da viagem.
 

Ao final daquela visita, após decidir que fotos tiraria, ao bater a segunda foto das inscrições a máquina travou, não podendo tirar a foto do morro. Fato que me frustrou muito, pois as inscrições são incríveis, mas o morro é de uma beleza incomum. Ao chegar a Brasília, após as fotos reveladas, tentava descrever o morro para os amigos, mas era impossível, pelo seu formato incomum e pela quantidade de detalhes ali existentes.
 

 
Por incrível que possa parecer, essa bela, histórica e importante atração turística de Carolina, a empresa de turismo, que faz a viagem para as cachoeiras do Prata e de São Romão, não sabia como chegar ao Morro das Figuras, apesar de estar localizado ao lado da cachoeira do Prata. Tivemos que contratar um guia, um rapaz morador da região, para nos conduzir até lá.
 

 A viagem foi feita em uma camionete com cabine dupla e ar condicionado. Estava em companhia do dono da camionete, que a dirigia, do Genezinho, Tom e Nete.
 

 
Seguem as fotos das inscrições rupestres. O morro foi descoberto durante a administração do prefeito João Odolfo Medeiros Rego. Penso que até o momento não foi feito nenhum estudo arqueológico e de datação.
 
 


 
 

 
 

 
 


 


É uma pena que uma mulher já pichou o seu nome no paredão em que constam as inscrições rupestres. Na época da administração do João Odolfo, a área do morro era cercada por uma alta cerca de arame farpado e somente ali se entrava pela abertura de um cadeado. Da cerca, não há mais nenhum vestígio.
 
Texto e fotos de autoria de José Emídio Albuquerque e Silva


 


 



segunda-feira, 6 de maio de 2013

REGISTRO HISTÓRICO SOBRE A REGIÃO TOCANTÍNIA



Foi publicado no Correio Braziliense, domingo, dia 5 de maio de 2013, matéria sobre o relato feito por José da Costa Diogo, da viagem feita pelo mesmo, em 1734, pelo rio Tocantins, entre Pirinópolis e Belém do Pará.
Os documentos, duas cartas, escritas por Jose Diogo na prisão em Portugal, por ter se aventurado pelo rio Tocantins, proibido pela coroa portuguesa, naquela época, de ser navegado e ocupado.
Talvez esses dois documentos sejam os relatos mais antigos que se tem notícia sobre a região tocantínia.
A descoberta dos documentos no Arquivo Histórico Ultramarinho, foi resultado de pesquisa feita pelo coordenador do Curso de História do Centro Universitário (UniCeub), Deusdeth Rocha Júnior.
Penso que essa proibição seja o motivo da nossa cidade, Carolina, Maranhão, somente ter sido fundada, como Arraial de São Pedro de Alcântara, em 1808, portanto 74 anos após a passagem de José Diogo da Costa por nossa região.
José Emídio Albuquerque e Silva



AVENTURA COLONIAL
CORREIO BRAZILIENSE Brasília, domingo, 5 de maio de 2013

Historiador brasiliense encontra relato de viagem pelo Rio Tocantins no século 18. Em busca de ouro,  o grupo foi de Goiás ao Pará a bordo de duas canoas. No caminho, presenciou o surgimento de fazendas na região e teve encontros perigosos com os índios


» MARCELA ULHOA

No tempo em que o Brasil ainda era um país colonial, a curiosidade que os europeus nutriam sobre o novo e extenso território rendeu uma série de relatos eternizados em papel de trapo, ou pergaminho. O primeiro e mais conhecido é a carta de Pero Vaz de Caminha ao então rei de Portugal, Dom Manuel. Datado de 1º de maio de 1500,o documento é considerado o primeiro registro escrito da história do Brasil e marca as impressões iniciais do “descobrimento” de terras férteis ocupadas por nativos que não escondiam “suas vergonhas”.

Mas não foram só as figuras oficiais do governo ou missionários e religiosos que imprimiram em papel a sua visão do Novo Mundo. Alguns dos preservados documentos seculares contam o Brasil sob o ponto de vista de personagens comuns, anônimos letrados e empenhados em descrever a natureza e acultura das terras conquistadas. Motivado a ler, transcrever e interpretar as cartas que narram a realidade do interior do país durante o Brasil colonial, o coordenador do curso de história do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Deusdedith Rocha Junior, se deparou com dois relatos que lhe chamaram a atenção.

Ambos foram escritos na primeira metade do século 18 por José da Costa Diogo, um sujeito aparentemente sem nenhum peso político ou social na época, mas autor de escritos detalhados sobre a região hoje conhecida por Goiás. De origem incerta, José Diogo era um homem comum que vivia no Brasil central. Ao sair de Minas Gerais até as proximidades de Corumbá de Goiás, entre junho e agosto de 1734, ele e seus companheiros almejavam conseguir dinheiro com a venda de mercadorias. Frustrados após perderem quase todos os produtos devido às taxas impostas pelos representantes da coroa portuguesa, uma punição
por terem transitado em um caminho proibido ao comércio, os viajantes resolveram tirar a sorte no garimpo.

“Na tentativa de reconstruir o capital perdido, ele e alguns amigos passam dois meses no aprendizado do ofício da mineração e resolvem arriscaram a nova aventura em busca de ouro pelo Rio Tocantins, na época já conhecido como Rio Rico”, relata Rocha.

A primeira epopeia descrita por José Diogo deu origem ao livro Viagem pela estrada real dos Goyazes, escritoem2006 pelo historiador do UniCeub. Ao descobrir tempos depois um segundo documento, escrito pelo mesmo aventureiro, sobre o percurso no Rio Tocantins até chegar a Belém, Rocha resolveu abordar a narrativa em seu doutorado, em andamento na Universidade de Brasília (UnB). Todos os papéis históricos foram encontrados pelo pesquisador no Arquivo Histórico Ultramarino, órgão português sediado em Lisboa responsável pela preservação dos documentos que mostram a relação de Portugal com suas colônias.

Fuga e prisão

“O documento inédito que apresento no doutorado é um dos primeiros que registram uma passagem pelo Rio Tocantins, no momento em que a colonização portuguesa ainda dá os seus primeiros passos naquela região”, revela Rocha. Além de ser um dos poucos documentos que relatam a viagem de um homem simples por um Brasil central recém-ocupado, os escritos de José Diogo trazem vários detalhes de sua trajetória.

No caso do primeiro documento, Rocha ressalta a riqueza da descrição da estrada, das fazendas e das distâncias. Na viagem pelo Rio Tocantins, sãos as cachoeiras, os acidentes geográficos ao redor, os afluentes e as distâncias navegadas que ganham destaque. José Diogo partiu do Rio das Almas, no Arraial de Meyaponte, atual Pirenópolis, em novembro de 1734, acompanhado de mais ou menos 10 pessoas, entre elas, dois escravos. Em duas canoas, o grupo seguiu em busca do ouro prometido e enfrentou cachoeiras, corredeiras e travessões. Nos relatos, José Diogo conta das poucas fazendas que começavam a aparecer nas margens do Tocantins, locais onde os colonos viviam no mais completo isolamento. O aventureiro revela ainda o momento de descoberta de boas amostras de ouro, fartura que não pôde ser bem explorada, já que não demorou muito para seu bando ser avistado por índios. Atacados pelos nativos, foram então forçados a descer o rio em fuga. Sem coragem de retornar, o grupo resolveu completar a descida até Belém, onde chegou depois de 83 dias de jornada.

“Ainda sem sorte, depois de explicar ao governador de Belém o acontecido, foram detidos e mandados presos para Portugal, de onde José da Costa Diogo redigiu dois documentos, descrevendo os percursos que fizeram, de Minas Gerais a Goiás, e dali o Pará, pelo Rio Tocantins”, explica Deusdedith Rocha. Possivelmente, os viajantes foram detidos em Belém, porque a navegação pelo Tocantins era proibida, por ser considerada rota de fuga de ouro. O pesquisador revela ainda que o grande mote para escrever sua tese foi o questionamento de quais motivos poderiam ter impulsionado o empreendedor José Diogo a escrever duas cartas sobre a sua viagem. “Não é usual que uma pessoa comum escreva uma descrição de viagem no século18. Até hoje, poucas pessoas fazem isso. A gente prefere tirar fotografias”, brinca Rocha.

Uma hipótese considerada pelo historiador é a de que o aventureiro foi, de alguma forma, obrigado a redigir o relato com o objetivo de facilitar a confecção de mapas detalhados
da região. Estudando outros documentos, ele encontrou uma carta oficial do ouvidor-geral de Goiás, escrita com o objetivo de detalhar uma área para servir de suporte para que uma pessoa na Europa, que nunca tivesse visitado o Brasil, pudesse elaborar um mapa somente com base nas anotações enviadas por outra pessoa.

Interpretação

Para compreender o universo inserido nos documentos antigos, Rocha teve primeiro que dominar a paleografia, estudo técnico cujo objetivo é ler, transcrever e interpretar um manuscrito antigo. Segundo o pesquisador, as maiores dificuldades da área são entender as abreviaturas de palavras e driblar a caligrafia e a sujeira dos papéis envelhecidos, normalmente com muitas manchas de tinta. O professor João Eurípedes Franklin Leal, coordenador do Núcleo de Paleografia e Diplomática da Universidade Federal do Estado do Rio, ressalta que, além de prestar um grande serviço à história, a paleografia também é essencial para o campo do direito, da arquivologia, da museologia e, principalmente, da filologia, ciência que estuda a língua, a literatura e a cultura a partir de documentos antigos.

“Muitas palavras de antigamente têm outro significado hoje. Nosso grande trabalho é divulgar e ensinar a leitura e a interpretação corretas desses documentos. Se uma pessoa lê uma palavra com o significado de hoje e não com o sentido daquela época, isso é uma temeridade”, pondera Franklin Leal. O título da segunda carta de José Diogo é um exemplo claro da armadilha. Da derrota do Rio Tocantins até Belém do Pará não versa sobre um fracasso. A palavra “derrota”, nesse contexto, significa a rota, o trajeto.

Além da origem das palavras, a paleografia envolve o estudo da própria escrita em si, como as várias formas de desenhar as letras nos séculos passados. Para o pesquisador, a história do Brasil do primeiro século, entre 1500 e 1600, ainda apresenta muitas lacunas e inverdades por falta de leitura dos documentos da época. Apesar das falhas, ele comemora o crescimento do campo no país, que receberá o II Congresso de Paleografia e Diplomática entre 19 e 21 de junho no Rio de Janeiro. “Ler um documento antigo é uma satisfação, é muito prazeroso. As pessoas têm de quebrar o temor da disciplina, ela não é difícil”, defende.

Resumos das cartas pesquisadas por João Eurípedes Franklin Leal







 

Autora da Autora da matéria no Correio Braziliense: Marcela Ulhoa
Editora: Ana Paula Macedo